TREND DNA // Divergent

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Contexto

Vivemos, então, numa época em que as fronteiras são cada vez mais ténues, em que cada indivíduo pode ter em si diversas identidades e expressá-las através da pertença a grupos totalmente divergentes. Parece-nos importante destacar a palavra identidades: vários papéis desempenhados pelo mesmo indivíduo em contextos diversificados, em constante construção e mudança.

Assim, a construção das várias identidades que compõem o indivíduo passa por uma escolha pessoal do modelo a seguir, e por isso é também cada vez mais autónoma, personalizada e genuína. Construímos uma identidade e procuramos elementos exteriores que nos permitam traduzi-la ao invés de construir uma identidade que procura corresponder a determinados fatores externos (que obrigatoriamente a condicionam).

Esta construção de uma identidade mais livre e genuína, que pretende quebrar padrões está intimamente ligada com a Tendência Cool Irreverence.

São vários os pontos em comum entre estas duas tendências: ambas pretendem ir contra o pré-estabelecido, quebrar padrões aceites e perpetuados pela sociedade. Apresentam também tópicos do Zeitgeist em comum: identidades, personalização e não-género são essenciais para a caracterização destas tendências

Se a Tendência Divergent nos fala de identidades que o indivíduo cria de uma forma cada vez mais autónoma e individualizada, a Tendência Cool Irreverence é a fase visível dessas identidades, é uma forma de expressar identidades disruptivas e aquilo que estas querem transmitir.

 

Insights

  • Importa compreender a nova construção de identidade(s): sem barreiras, sem caminhos pré-definidos, sem pré-conceitos. A liquidez tem uma importância inegável na forma como as pessoas se relacionam consigo mesmas e com os outros.
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    Estamos perante uma desfragmentação dos padrões tradicionais que geriam as esferas da vida social e como tal já não existem públicos óbvios, segmentos lineares ou grupos estanques e homogéneos. Para compreender a sociedade atual, é necessário descartar todos os pré-conceitos e formulas de sucesso. É essencial perceber as várias “camadas” que compõem a identidade do indivíduo.

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    Multiplicidade, liquidez e complexidade são fundamentais para compreender as novas dinâmicas. Multiplicidade de formas de ser, de estar, de comunicar e de consumir; Liquidez na construção desta identidade, livre de caminhos pré-definidos e de entidades prescritoras imutáveis. Complexidade porque as identidades são hoje construídas de uma forma muito mais livre, sem as tradicionais barreiras, obrigando a uma imersão nos espaços e nos contextos em que se movem.

 

Cluster “Authentic Break”

As tendências Divergent, Cool Irreverence e Unrestricted Human apresentam vários pontos em comum e representam de forma clara uma alteração na sociedade e nos seus comportamentos. O indivíduo despe uma máscara ou fantasia que o sufoca e incomoda. Ele age em concordância com a sua identidade e a sua essência, sem estereótipos, podendo expressar-se e assumir os riscos dessa exposição.

Cada vez mais o indivíduo pretende construir uma identidade em que o EU ocupa o lugar central, libertado de valores pré-determinados e/ou percursos e grupos pré-estabelecidos. Pretende comunicar-se com os outros de uma forma que conteste os meios e os sistemas tradicionais, ou seja, de uma forma irreverente.

Existe cada vez mais uma necessidade de viver ao máximo, de estar em todo o lado e de exteriorizar de forma livre um EU interior. O indivíduo liberta-se de algo que até então determinava os seus gostos e preferências em vários âmbitos. Este sai fora da sua zona de conforto e nega aquilo que sempre lhe foi imposto.

A tendência Cool Irreverence é a face mais visível deste cluster. A forma irreverente de comunicar e de viver traduz a necessidade de construir uma identidade “de dentro para fora”, que procura no exterior elementos que a traduzam (ao contrário do que era feito até então: construção de uma identidade que procura corresponder a estímulos exteriores).

É fundamental entender que deixou de existir um consumidor linear, que se enquadra obrigatoriamente em determinadas categorias e se identifica, porque pressionado a isso, com determinados valores. Já não existem fórmulas de sucesso. Importa também compreender o papel da tecnologia na construção das identidades, pois até  aqui as fronteiras são cada vez mais líquidas. A tecnologia já não é vista como simples acessório, mas sim como extensão da própria identidade. A materialidade do corpo perde cada vez mais a sua importância face a uma identidade construída de forma cada vez mais genuína, liberta da “tirania” do corpo físico e que vê na tecnologia uma forma de expressão extremamente importante.

 

Updated at 02-01-2018.

Contributions from Beatriz Teixeira, Débora Mendes, Filipa Santos.

 

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