Secrecy

 

ZEITGEIST: SECRECY E O ESPÍRITO DO NOSSO TEMPO.

Vivemos a era do excesso de informação e isto inclui também as informações pessoais que compartilhamos a todo o tempo. Nossos cotidianos, gostos e dados pessoais estão expostos diariamente na web, tanto para nossos pares quanto para governos e empresas às quais nem fazemos ideia, e afetam a nossa identidade de uma forma geral (seja nas “manifestações online e offline”). A quebra das fronteiras que a tecnologia proporcionou à nossa época inclui
também a infusão entre as esferas pública e privada, da mesma forma que não existe mais diferença entre os mundos online e offline. Como reação à exposição excessiva num mundo hiperconectado, o isolamento voluntário mostra-se como a saída possível.

Entre os tópicos que definem o espírito do nosso tempo e que melhor dialogam com a tendência Secrecy estão: Privacidade – ou a falta de – é a grande problemática que envolve a tendência, principalmente por conta da internet, onde nossas informações e dados pessoais são exibidas e comercializadas. Neste sentido, a tecnologia desponta como driver fundamental, uma vez que é a partir dela que vivenciamos a era onde tudo é compartilhado. Sentimo-nos incomodados e inseguros, porém, ao mesmo tempo, deixamo-nos seduzir pela proposta de nos expor a cada vez mais nessas mesmas redes, uma vez que as nossas identidades virtuais são parte fundamental do processo de construção identitário nos dias atuais. Afinal, é a identidade virtual que muitas vezes valida nossas identidades “reais”, já que o ambiente online funciona como a prova cabal e irrefutável das nossas vivências, registradas em fotos e live videos. Em contrapartida, a necessidade pelo individualismo, ou seja, a liberdade do indivíduo frente a um grupo, à sociedade ou ao Estado, torna-se cada vez mais urgente, já que sentimo-nos vigiados e julgados a todo o momento. O medo configura um traço importante desta tendência, uma vez que a exposição excessiva ao qual nos submetemos e somos submetidos, mesmo sem a nossa autorização, pode nos colocar em situações de risco, por conta da falta de privacidade que pode ocasionar situações sociais desagradáveis ou até mesmo afetar a nossa segurança pessoal. Com isso, a busca pela contemplação e o isolamento que são reação ao excesso de conexão que vivemos
configura, na verdade, uma busca pelo resgate do bem estar mental e psicológico, que é diariamente afetado pela dinâmica acelerada e caótica dos centros urbanos.

ANÁLISE DO MAPA SEMÂNTICO DO ZEITGEIST: A partir da análise dos dois grupos do Zeitgeist vemos que a
interligação dos tópicos que compõe o primeiro grupo ocupa grande parte do mapa, demonstrando que a necessidade de privacidade faz parte de diversos contextos sociais, operando como uma dualidade entre a tecnologia vanguardista e o conservadorismo “analógico”, e no anseio do privado em uma era cada vez mais coletiva em termos
de informações e dados, afinal a tendência aborda exatamente a necessidade da reclusão num mundo  hiperconectado. Quando acrescentamos ao mapa o segundo grupo de tópicos, vemos que a interseção localiza-se na tendência Wellthy, Relaxed and Spiritual, sustentando o componente Bem Estar como o grande motor na busca por mais privacidade, isolamento e também pelo direito de expôr-se livremente em sociedade, sem temer julgamentos e controle externo da sua identidade.

 

DESCRIÇÃO DA TENDÊNCIA

A diferença entre o público e o privado está cada vez mais tênue, e quanto mais perdemos o direto à privacidade, mais desejamos resgatá-lo. Neste caminho, proteger nossas identidades torna-se a missão e o isolamento voluntário a alternativa em um mundo hiperconectado, onde tudo e todos estão expostos nas vitrines da sociedade. Esta
hiperexposicão configura um permanente estado de medo, onde estamos a todo o tempo sendo julgados e testados, por nossos pares e até por desconhecidos. Assim, sentimo-nos incomodados e inseguros com esta dinâmica social, porém, ao mesmo tempo, deixamo-nos seduzir pela proposta de nos expor a cada vez mais nessas mesmas redes,
uma vez que as nossas identidades virtuais são parte fundamental do processo de construção identitário nos dias atuais. Afinal, é a identidade virtual que muitas vezes valida nossas identidades “reais”, já que o ambiente online fuciona como a prova cabal e irrefutável das nossas vivências, registradas em fotos e live videos. A tendência Secrecy manifesta-se como resposta à essa dualidade, tanto no ambiente virtual quanto no real – como se houvesse,  atualmente, qualquer diferença entre eles. Seja através do distanciamento das redes sociais ou de retiros presenciais, a desconexão torna-se cada vez tão importante quanto a própria conexão que define o nosso zeitgeist. O silêncio, a pausa e a reclusão nunca foram tão valorizados e necessários como ferramentas para o resgate do que nos é proprietário por direito: as nossas identidades.

O DESEJO POR PRIVACIDADE E RECLUSÃO SE MANIFESTA EM VÁRIOS CAMPOS.

ARQUITETURA
– espaços em casa e nos ambientes de trabalho que privilegiem o
“estar sozinho”
– hotéis para viajantes solitários
TECNOLOGIA
– desconexão, estar “offine”
– social media suicide
VIAGENS
– escolha por destinos isolados
– viajar sozinho
BEM-ESTAR
– meditação
– retiros de silêncio
CIDADE
– espaços urbanos de contemplação
– restaurantes e cafés para se estar sozinho
– contracorrente do ambiente de trabalho open-space, necessidade
de espaços de isolamento para a concentração.

 

DESK RESEARCH

24 MM
de “dumb phones”, telemóveis que só possuem a funcionalidade de ligar e receber mensagens, foram vendidos nos
Estados Unidos, um acréscimo de 1,7 MM no ano de 2015, segundo um estudo da empresa de pesquisa IDC (vd. www.nbcnews.com/tech/tech-news/smartphone-sales-aredown-are-we-flipping-dumb-phones-instead-n564911)

17% DOS MILLENIALS
planejavam viajar sozinhos em 2016, de acordo com uma pesquisa realizada pelo TripAdvisor. (www.tripadvisor.co.uk/TripAdvisorInsights/n2670/6-key-traveltrends-2016)

86% DOS INTERNAUTAS
tomaram atitudes para remover seus “rastros digitais”, porém, muitos disseram que gostariam de tomar mais atitudes desse tipo ou que não sabem como fazê-lo. (www.pewresearch.org/fact-tank/2016/09/21/the-state-ofprivacy-in-america)

91% DOS ADULTOS
concordam que consumidores perderam o controle sobre como suas informações pessoais são coletadas e utilizadas pelas empresas. (www.pewresearch.org/fact-tank/2016/09/21/the-state-ofprivacy-in-america)

FINSTAGRAM
Jovens estão cansados da pressão das redes sociais e contas privadas (as chamadas fakeinstagram, ou finstagram) estão em crescimento. Isso indica uma demanda latente por autenticidade e  privacidade. (www.huffingtonpost.co.uk/elaine-clara-mah/2017-traveltrends_b_12510674.html)

 

SINAIS CRIATIVOS

 

INSIGHTS FINAIS

#1
À medida em que crescem o número de gadgets e apps com o objetivo de criar ainda mais conexões e fluxo de
informações, o desejo pelo resgate do p r i v a d o a u m e n t a n a m e s m a velocidade, como a contra-corrente
desde movimento.

#2
Ao mesmo tempo em que as conexões aumentam, o número de pessoas que se sentem solitárias cresce em igual
p roporç ã o . Segundo a AXA PP
Healthcare, os MIllenials estão 4x mais
suscetíveis em sentirem-se solitários
que as pessoas com mais de 70 anos.

#3
C o n e x ã o n ã o s i g n i f i c a ,
n e c e s s a r iamet e , c o m u n i d a d e .
Vivemos a era onde estão todos
interligados, mas não quer dizer
que estejamos conectados de forma
í n t ima. O excesso dos nossos
tempos desvirtuou o significado das
relações sociais e a intimidade se
tornou um artigo raro e, portanto,
cada vez mais desejado.

CONEXÃO ≠ COMUNIDADE

PRIVACIDADE ≠ SOLIDÃO

O grande desafio do nosso zeitgeist que
esta tendência aponta é sobre como
equilibrar comunidade e privacidade de
uma forma em que haja espaço para que
se manifestem estes dois comportamentos,
ao invés de anularem-se entre si.

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