MACRO TRENDS

PARADIGM

Liquid Hypermodernity

PT | No âmbito dos Estudos de Tendências, o Paradigma é um pressuposto com impacto capaz de originar um modelo de sociedade, ou seja, funciona como uma referência para as mentalidades e para os comportamentos sociais que ilustram uma época. Tendo sido proposta como Hipermodernidade por Gilles Lipovetsky, e anteriormente abordada pela Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, a Hipermodernidade Líquida define o “agora”. Ela dá ênfase ao objetivo do projeto da modernidade, focando-se nos desenvolvimentos técnicos, científicos, individuais e espirituais. As atuais mentalidades e os seus comportamentos associados apresentam um carácter volátil, marcado por rápidas e profundas mudanças nas estruturas sociais. Como resultado, o termo hiper tem marcado a forma como se produz e como se consome, dando lugar ao nascimento do hiperconsumo. A hipermodernidade apresenta-se como uma intensificação do modelo proposto na modernidade e na pós-modernidade.  A ideia de convergência de todos os aspetos da vida quotidiana, seja ao nível de instrumentos, do acesso, de funções, de tecnologia, de experiências e até de áreas (humanidades + gestão ou tecnologia + biologia), provoca uma fluidez que caracteriza este conceito.A manutenção de um estilo de vida confortável já não é suficiente procura-se ultrapassar as limitações físicas do homem e o seu próprio conhecimento sobre o mundo – promovendo, em simultâneo, um repúdio pelo passado e uma nostalgia pelas imagens, símbolos e narrativas de tempos anteriores. Não obstante, a ideia é de que o ontem é sempre menos do que o hoje, sendo que este último não é mais do que um reflexo de um futuro que se auto-impõe. Sublinhe-se também a super-abundância de artefactos do passado que provocam clutter e que levam à reciclagem simbólica, bem como a uma incapacidade de identificar a originalidade e os sentidos.

Grandes Ramificações do Paradigma que acabam por afectar vários aspectos macro das mentalidades e dos Comportamentos:

  1. a) Empowerment. Esta é uma ramificação que acompanha a sociedade ao longo do seu desenvolvimento. Ela actua como um catalizador de emoções e de comportamentos, para benefício do desenvolvimento do indivíduo e das comunidades, que se adapta a cada zeitgeist e movimento, podendo assumir várias formas. Actualmente, tem como foco manifestações como a Empowered Education – o poder crescente da educação como mecanismo de transformação e de desenvolvimento pessoal/comunitário, visto de uma forma crescentemente líquida pelos próprios programas, metodologias e objectivos de ensino; o Empowered Digital Self – o “eu” digital como uma personalidade/entidade autónoma, colocando a questão: Qual é o “eu” real? No digital, o consumidor tem maior poder para atuar e para mudar o seu meio. A internet não deu ferramentas ao indivíduo, ela criou um novo empowered consumer! Isto sugere a possibilidade crescente dada ao indivíduo para intervir na mudança e na definição da sua realidade. Seja através de uma maior consciência perante os grandes desafios do progresso social, ou para o simples benefício da comunidade, o indivíduo quer poder para mudar a sua vida e a dos outros. Neste sentido esta mentalidade tem sido um elemento característico da natureza humana, sofrendo várias alterações ao longo do seu desenvolvimento.

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MACRO TRENDS

Experienced Narratives

PT | Nesta liquidez crescente de conceitos, ideias e estruturas, importa sublinhar a pertinência de âncoras simbólicas capazes de permitirem um desenvolvimento sustentável de identidade(s). Se articularmos os elementos da economia da experiência com as identidades narradas – práticas, objetos e sinais que sublinham elementos identitários e os símbolos por detrás das nossas raízes – sob a bandeira de uma experiência e cultura simbólicas que colocam em causa a cultura material, identificamos uma nova mentalidade que agrega conceitos como estórias, nostalgia, experiência, discurso, raízes e identidades. Esta tendência identifica a necessidade de ter em consideração a memória e a importância de cercar-nos de símbolos, imagens e histórias ligadas ao nosso imaginário e capazes de projetar experiências e narrativas para o futuro. As posses materiais são efémeras, tornam-se desatualizadas e perdem valor diante da memória e da experiência emocional. Neste sentido, as identidades tomam a forma de narrativas, de estórias, agregando elementos semelhantes e diferentes para criar novos significados e novas estruturas. Só que desta vez, cai a solidez e entra uma fluidez onde não se encontram mais fronteiras fixas entre sentidos e construções simbólicas individuais e grupais. Isto permite uma permanente viagem entre identidades, significados e experiências, ou seja, uma construção de pluralidades que são regidas e negociadas pelos indivíduos. Em simultâneo, exige uma curadoria dos elementos a abordar nas narrativas e nas identidades, pois existem questões de memória a serem consideradas. Se a problemática da autenticidade é cada vez mais atual, esta fluidez permite um elevado nível de personalização que combina com o desenvolvimento de tribos urbanas com práticas e representações negociadas e em constante mutação. Em suma, é um momento de estórias que querem ser experienciadas e que emanam de identidade(s) fluidas em constante mutação ao nível individual e grupal, sendo que este elemento de narrativa tem um forte poder de identificação, gerando benefícios ao nível de associações simbólica entre indivíduos e entre estes e marcas.

Principais Tópicos Culturais associados: Identidade(s); Autenticidades; Memórias; Tribalismos; Estórias; Narrativas; Fantasia.

Derivações na forma de MICRO TENDÊNCIAS:

NOSTALGIA // Esta falta de solidez nas estruturas referida na macro tendência traz consigo a consequência de uma nostalgia por representações, práticas e artefactos do passado, ainda presentes na memória coletiva, que servem como âncoras identitárias e importantes elementos para uma associação simbólica que tem um impacto positivo ao nível de identificação emocional entre os públicos.

URBANITY// Mais de metade da população mundial vive em grandes cidades, e ao contrário do que aconteceu em anos passados, a maioria das pessoas nasceu nas cidades. Quem não nasceu, vive as cidades com tanta intensidade como uma terra-natal. Gostam de torná-la na sua cidade, cuidar dela e tratá-la como se fosse a SUA casa.  Isto indica o interesse que as populações urbanas ganham pelo espaço onde habitam, tornando o mesmo mais acolhedor para si e para os restantes habitantes. Representa a necessidade que as pessoas têm em dar um cunho pessoal a algo que antes não tinha rosto. Quem mora na cidade começa a querer conhecer os mais recônditos cantos e histórias passadas, de modo a tirar o maior proveito dela, dando em troca a dedicação e carinho para a estimular. Uma variante desta tendência em franco crescimento é a questão da gentrificação. Importa analisar como espaços urbanos tornam-se palco de mutações (convidando hipsters, new agers, intelectuais, etc), cunhados como sinais de criatividade e inovação capazes de sublinhar as manifestações, simbologias e práticas autóctones, geralmente com foco na restauração e nas “artes”. Este é um processo de mutação entre o “mainstream” e o “underground” que pretende revitalizar zonas, sem deixar de se correr o risco de afetar a verdadeira identidade e dinâmica do espaço. As narrativas urbanas e a experiência da cidade são importantes elementos nesta articulação de uma identidade narrada.

GAMIFICATION // A mecânica dos jogos está agora em todo o lado. Eles permeiam o nosso quotidiano e são um factor importante para as marcas na co-criação de narrativas e na geração de Motivação. Gamification como conceito diz respeito à aplicação das dinâmicas e técnicas de jogo e das suas narrativas na geração de uma ligação capaz de motivar os indivíduos. Esta prática imprime no consumidor e no criador a necessidade e sempre presente ideia de que temos de criar experiências e estórias desenhadas com base nas mecânicas dos jogos. Espaços, emblemas, vitórias, fantasia e descoberta tornaram-se comuns na exploração de atividades e práticas, na comunicação e na conceção de produtos/serviços. Ao atingir objetivos, o sentimento de realização aumenta, bem como a ligação à marca.

FROM GEEK TO COOL // As práticas, representações e artefactos de tribos geeks, anteriormente verdadeiras subculturas, que estavam encerradas em nichos de públicos com uma paixão verdadeira por estas narrativas (da ficção científica à fantasia e ao gaming de computador, passando por jogos de tabuleiro, entre outros) passaram ao domínio massificado. Se as massas não possuem um elo de ligação tão forte com a narrativa e se isso se ainda é domínio das tribos, estas estórias massificaram-se e os seus objetos tornaram-se alvo de consumo por parte do largo público. Veja-se a massificação das narrativas de ficção científica e de fantasia como Star Wars, Star Trek, Doctor Who, entre muitas outras; o sucesso do j-pop e do k-pop; a crescente popularização do gaming, mesmo ao nível de uma nova realidade virtual; entre muitos outros sinais.

[see the full DNA]

Connection and Convergence

PT | A Internet mudou o mundo e a forma como cada um interage em sociedade. Agora, há um conjunto de equipamentos e gadgets a convergir num só, de forma a potenciar essa nossa necessidade de estar permanentemente conectado e informado, já para não falar da importância e do impacto crescentes da Inteligência Artificial. No entanto, é uma convergência ergonómica que se impõe na nossa rotina diária. É a ergonomia pura e simples da forma como os equipamentos são cada vez mais convergentes e fáceis de manusear (veja-se a “wearable technology”), mas é principalmente uma ergonomia que elimina as fronteiras entre o indivíduo e o seu mundo, os seus objetos e as interfaces: uma extensão das capacidades, do corpo e do potencial humano. Com um crescente número de manifestações associadas à necessidade de estar-se sempre ligado e com novas formas de convergência, esta tendência permanece como uma resposta que tenta criar uma nova realidade de acessos e de interação com o mundo, seja ele físico ou digital. Aqui a questão da hibridização é muito importante, seja ao nível de produtos/serviços, funcionalidades ou até de realidades (o físico e o digital), sendo que a realidade virtual e aumentada terá um papel crescente nas novas mecânicas e dinâmicas sociais. Por outro lado, novamente, tudo isto implica uma curadoria na personalização das interações e das possibilidades de ligação, sempre numa perspectiva de simplicidade para o utilizador.

Principais Tópicos Culturais associados: Conexão; Convergência; Ergonomia; Virtual.

Derivações na forma de MICRO TENDÊNCIAS:

ERGONOMIC LIFESTYLES // Podemos estar sempre a um clique ou a um download do que queremos. Seja chegar do ponto A ao B, seja um vestido novo, num um mundo onde a sociedade está dividida por múltiplos e líquidos estilos de vida, os produtos e os serviços adaptam-se aos anseios emergentes com a intenção de otimizar a vida dos consumidores. Isto implica uma abordagem de design com vista a uma simplicidade de uso; ter em mente a fabricação e o serviço com baixos custos de manutenção e reparo; ter em consideração que a demonstração de relevância e valor é primordial para a adoção tanto pelos usuários finais como pelas suas famílias. A interatividade já se tornou um código social dentro da montanha russa de emoções que o quotidiano proporciona. O controle destas novas dinâmicas está na  convergência e na ergonomia de funções que tem como força motora a tecnologia. Esta última proporciona uma convergência de funcionalidades dos objetivos que se articula com os vários desafios e facetas do nosso quotidiano e do estilo de vida específico de cada indivíduo. Estaremos possivelmente perante uma desvirtualização do mundo onde as várias realidades se conjugam para criar um novo mundo onde não há fronteira entre o digital e o físico. Será a convergência não apenas de aparelhos, mas também das próprias realidades numa ergonomia que pretende transpor o ser humano para um novo tipo de realidade?

AUGMENTED AND FRONTIER REALITIES  // Num mundo onde a imagem tem precedência, a circulação de imagens sublinha os detalhes da vida quotidiana. Precisamos agora de filtros de desconstrução da realidade – estamos perante uma utopia, ou um movimento social para a utopia? Isso afetará o valor do real e do “autêntico” em produtos e serviços. Por outro lado, importa analisar e reflectir sobre novas manifestações que reflectem uma articulação profunda entre a macro tendência e esta micro tendência. Estamos possivelmente perante uma desvirtualização do mundo, onde as várias realidades se conjugam para criar um novo mundo onde não há fronteira entre o digital e o físico. Será a convergência não apenas de aparelhos, mas também das próprias realidades numa ergonomia que pretende transpor o ser humano para um novo tipo de realidade.

SECRET AND DISCONNECTED  // Esta micro tendência funciona como um contra movimento à mentalidade macro. Por um lado, existe também um sentimento que estamos demasiado ligados e a partilhar um largo número de dados pessoais, já para não falar da pressão em ter de estar sempre disponível e ligado. Isto produz uma necessidade de desligar, mesmo que de tempos a tempos, ou estar menos conectado, bem como uma certa precaução em relação à partilha de dados e ao acesso aos mesmos.

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